Como a informação está a redefinir a gestão empresarial – A era dos dados

Num mercado onde as empresas lidam diariamente com volumes crescentes de informação, a intuição deixou de ser suficiente para sustentar decisões de gestão. Os dados tomaram a dianteira. Agora ditam tanto o sucesso das organizações. Mas importa organizá-los, relacioná-los e apresentá-los de forma a apoiar decisões operacionais e estratégicas. Quando permanecem dispersos, os dados representam apenas informação fragmentada; quando são consolidados e analisados, tornam-se uma ferramenta para antecipar problemas, optimizar processos e identificar oportunidades.
A Soluções e a CS Research combinam tecnologia e o conhecimento do mercado para apoiar as organizações na utilização inteligente dos seus dados. Mas vamos por partes.
Com mais de duas décadas de actividade em Moçambique, a Soluções desenvolve sistemas que centralizam informação proveniente de diferentes equipamentos, transformando-a em indicadores que facilitam a monitorização das operações e apoiam a tomada de decisões em tempo real.
Carlos Lemos, CEO da Soluções, destaca que, actualmente, o maior desafio nas organizações não está na falta de dados, mas na dispersão da informação por vários sistemas que não comunicam entre si, o que dificulta a obtenção de uma visão completa da operação e a tomada de decisões rápidas e fundamentadas.
A Soluções tem trabalhado para mudar este padrão, integrando equipamentos, aplicações e plataformas para que os clientes tenham uma visão clara da sua operação, em tempo real, permitindo disponibilizar plataformas robustas e inovadoras às instituições moçambicanas.
“Quando os dados não se comunicam entre si, torna-se muito mais difícil obter uma visão completa da operação e tomar decisões rápidas e fundamentadas. A Soluções acrescenta valor, integrando plataformas, automatizando processos e transformando informação dispersa em conhecimento útil para apoiar a gestão”, explica Carlos Lemos.
Na prática, esta abordagem permite que as organizações passem de uma gestão reactiva para uma gestão baseada em evidências. No sector financeiro, por exemplo, as plataformas desenvolvidas pela empresa permitem monitorizar equipamentos distribuídos por todo o país, acompanhar indicadores operacionais, identificar potenciais falhas antes que provoquem interrupções e reduzir períodos de indisponibilidade dos serviços bancários ao público.
Na procura de soluções digitais para a gestão de dados, o sector bancário destaca-se como um dos principais impulsionadores desta transformação, pelo elevado volume de informação que processa e pela necessidade de acompanhar operações críticas em tempo real. Esta tendência estende-se também a áreas como o retalho e a logística, que recorrem cada vez mais a plataformas de análise e integração de dados para optimizar processos, melhorar a tomada de decisões e aumentar a eficiência operacional.
Nesse processo, a segurança deixa de ser uma funcionalidade e passa a ser um requisito obrigatório, especialmente no sector da banca. Nesse âmbito, a Soluções combina tecnologia, segurança e fiabilidade.
“Todas as soluções que implementamos são desenvolvidas com mecanismos de controlo de acessos, rastreabilidade das operações e protecção da informação, garantindo que os dados permaneçam íntegros, seguros e disponíveis sempre que necessário”, explica.
A CS Research garante que as marcas não tomem decisões com base na intuição, mas possam, em curto espaço de tempo, compreender como investir num mercado e, rapidamente, atingir o público-alvo.

Para George Cossa, Director-Geral da CS Research, o maior erro que uma empresa pode cometer é decidir com base na intuição, quando tem onde buscar os dados, aprender com eles e estabilizar a marca.
“É importante perceber como o mercado funciona, porque, se não se tem informação local, o que acontece é que se vai ter de investir, aprender com o erro cometido e reinvestir. Isso duplica os custos. Mas, se se fizer um investimento em termos de pesquisa, o risco é menor.”
Neste processo, a CS Research não chega e determina: realiza um estudo preliminar para avaliar as necessidades do cliente. “Nós entendemos como funciona o negócio, reunimos toda a informação necessária e, depois, fazemos essa análise, uma espécie de patient analysis (mapeamento da jornada do paciente)”, explica.
Um exemplo prático desta abordagem, refere Cossa, é o de empresas de retalho com redes de distribuição alargadas, em que a pesquisa permite mapear como estão distribuídas e como operam no terreno, informação indispensável antes de qualquer decisão de investimento.
No contexto moçambicano, os principais desafios na recolha de dados dividem-se entre a componente logística, a cultural e a sensibilidade que certas fontes têm em abordar determinados assuntos. Em termos logísticos, o desafio está, sobretudo, ligado às dimensões do país e à limitação das ligações internas: deslocar equipas para zonas mais distantes, sobretudo a norte, implica custos que variam de forma imprevisível e prazos difíceis de garantir.
Já em termos culturais, o desafio está na diversidade linguística: um questionário elaborado em português nem sempre é compreendido pelas fontes locais e, mesmo quando traduzido, existe ainda uma limitação de literacia nessas mesmas línguas, o que obriga a CS Research a adaptar continuamente a sua metodologia de recolha a cada contexto.
Para assegurar que a informação recolhida nestas condições mantém rigor e fiabilidade, a empresa organiza o seu trabalho em vários níveis de controlo de qualidade: antes de cada estudo, as equipas recebem formação específica sobre o projecto em causa; no terreno, supervisores e coordenadores acompanham a aplicação da metodologia e da amostragem; e, já no escritório, uma equipa realiza a verificação da base de dados antes de qualquer análise, sendo o próprio relatório final revisto antes de ser entregue ao cliente.
Apesar destes mecanismos, ainda se nota uma resistência à mudança por parte das pequenas e médias empresas, muitas vezes por desconhecimento da utilidade da pesquisa, outras vezes por limitações de fundos, uma situação que coloca estas empresas numa posição de desvantagem face às que já investem em dados.
“Quando se vai para o mercado sem dados e se cometem erros, o que acontece é que, além de se perderem os recursos, perde-se também tempo, um recurso escasso. Então, o melhor a fazer é investir em pesquisa e dados”, aconselha.
George Cossa recorda que, há 22 anos, ainda era necessário explicar a diversas entidades a própria utilidade da pesquisa de mercado. Actualmente, anota, essa necessidade é muito menor, num contexto em que empresas e instituições reconhecem cada vez mais o valor da informação para orientar decisões.
A importância da execução local: o caso da HEINEKEN
Um dos exemplos concretos da mudança de paradigma está na relação que a marca mantém com a HEINEKEN Moçambique, onde a CS Research tem apoiado a HEINEKEN na execução de diferentes projectos de pesquisa, especificamente no fieldwork no mercado local.
Segundo Diogo Nhamposse, gestor de negócios da HEINEKEN, um dos principais desafios consiste em garantir que estudos desenvolvidos com parceiros internacionais sejam executados localmente com o mesmo nível de rigor, qualidade e cumprimento de prazos.
O trabalho envolve a implementação, no terreno, de estudos de consumidores e de mercado, incluindo recolha de dados, entrevistas e outras actividades necessárias para assegurar a qualidade e a representatividade da informação recolhida.
A experiência no mercado moçambicano, a capacidade de execução local e o conhecimento dos standards e processos de research internacional estiveram entre os factores considerados pela HEINEKEN na escolha da CS Research, relação que se mantém consistente e de confiança com a equipa.
“A parceria permite-nos contar com uma equipa local especializada, reduzindo a necessidade de gerir directamente toda a operação de fieldwork. Isto traz ganhos importantes em termos de eficiência, gestão de tempo e recursos, permitindo à equipa da HEINEKEN concentrar-se mais na análise dos resultados e na transformação dos insights em decisões de negócio”, revela Nhamposse.
Outro benefício importante é a capacidade de resposta e a familiaridade da equipa com os requisitos e processos dos estudos internacionais. A capacidade de transformar essa metodologia numa execução rigorosa no terreno é igualmente determinante, sobretudo quando a pesquisa integra diferentes mercados e precisa de manter padrões de qualidade consistentes.
O próximo passo: dados, automação e inteligência artificial
À medida que as organizações evoluem e a inteligência artificial se torna mais acessível, a importância dos dados tende a aumentar. Para a CS Research, a transformação será marcada por uma maior integração de fontes de informação, automatização de processos e utilização de ferramentas capazes de acelerar tarefas que anteriormente exigiam mais tempo e recursos.
A inteligência artificial, por sua própria natureza, depende da existência de dados para produzir resultados úteis. Quanto maior for a qualidade, organização e relevância da informação disponível, maior será também o potencial das ferramentas utilizadas pelas organizações.
Carlos Lemos antevê, por isso, uma aposta crescente na integração de diferentes fontes de informação, na automatização de processos e na incorporação de tecnologias como cloud computing, business intelligence e inteligência artificial, sempre orientadas para necessidades concretas das organizações.
O futuro da gestão empresarial passa, assim, por uma utilização mais estratégica dos dados: integrar informação, compreender o mercado, automatizar processos e transformar grandes volumes de dados em conhecimento aplicável.
Para as organizações moçambicanas, a questão já não é apenas saber se têm dados. É saber se conseguem transformá-los em informação útil e, sobretudo, em decisões melhores.
EdiÇão 90 JUL/AGO | Download
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